davidмarreiroswriting#zerozeroum



]thinking, that's the problem[
]a quem possa interessar ou apenas para me lavar[



23.3.08

voltar...

Voltei atrás…
Voltei a ler o que anteriormente escrevera impulsivamente…
Voltei a sentir o mesmo sentimento.
Voltei a permitir os meus olhos derramarem água salgada.
Voltei a chorar descontroladamente.

As barragens de um mar imenso
voltaram-se a abrir nestes dois mundos pequenos.
Derrubou tudo,
esta água malvada, mas tão bem-vinda,
tão… tão necessária ao meu mundo.

Sim, precisava de abrir as minhas barragens.
Precisava de derramar todo o líquido ardente
para de energia poder reabastecer
de modo a amanhã poder viver
sem presença da tristeza latente.

Sim, agora percebo-te mesmo…
Mesmo, mesmo, mesmo…
Sabe bem, sabe mesmo bem…
Alivia a alma. Lava a alma.
Liberta o corpo da diária monótona azáfama.

Tudo aquilo, toda a água que se junta
ao longo de dias sem fim,
é soltada finalmente com um caderno e uma caneta
na mais intima solidão de um quarto,
e, subitamente todas as escotilhas se abrem, tudo fica a descoberto.

Tudo fica aberto. Tudo fica solto.
Tudo parece mais fácil. Tudo parece mais possível,
mesmo que apenas por algum tempo,
tempo esse que se assemelha sempre pouco
mesmo que se alargue pelo infinito inacabável.

Voltamos sempre ao mesmo:
Voltamos sempre a encher o nosso mar;
voltamos sempre a drenar esse mesmo mar;
voltamos a encher o mar e a drenar o mar anterior.
Voltamos sempre à dor.
Voltamos sempre às dores.
Voltamos sempre ao sofrimento.
De facto, precisamos sempre de mágoa,
para sempre de felicidade sermos possuidores,
ainda que por um curto espaço de tempo.

Vivemos em ciclo.
Ciclo de felicidade e sofrimento.
Vivemos para sofrer.
Sofremos em busca de um sorriso, de um alento.
Curioso é ter sempre medo de morrer…

Se em sofrimento sempre viveremos
porquê não morrer logo ao primeiro enchimento do dique?
A vida é feita para viver,
não para morrer.
O sentido da vida é remar sem remos.

Mas… Sempre… Sempre…
Infinitamente… Infinitamente…
Voltei… Voltamos…
Voltarei… Voltaremos…
Voltar… Voltar…

a ti, irmão

Mais uma noite me apetece escrever.
Desta vez não em prosa mas em verso.
Não em inglês mas em português.
Versos não sei fazer.
Mas minha alma o pede fortemente.
Inspirada pelos versos de meu irmão, provavelmente.

Ah, irmão, irmão…
Há quanto tempo, irmão…
Há quanto tempo não te vejo, não te abraço…
Há quanto tempo, irmão…

Saudades, sim, deveras.
Porquê? Não sei.
Talvez apenas por ler
e te nitidamente te reconhecer
nesses teus escritos,
esses escritos que todos abominavam,
que todos odiavam,
que em todos desejavam penetrar e destruir.

Só agora percebo o porquê.
Talvez por agora estar assim.
Estar mais perto daquilo que eras
do que alguma vez já estivera.
Estou mais perto de ti
do que alguma vez já estivera
e a tantos quilómetros de distância entre nós…

Saudade, … sim… saudade.
Respeito, … sim… respeito.
Admiração, … sim… admiração.
Amor, … claro que sim… amor.
Acima de tudo amor.

Obrigado irmão, finalmente te compreendi.
Uma década passou e só agora percebi.
Dizer que nunca é tarde demais…
Que mais vale tarde do que nunca…
Que quem espera sempre alcança…
(Bem, talvez nunca tenhas esperado que te compreendessem,
mas sempre esperaste por alguém que te percebesse,
até por ti mesmo.)

É hoje. É hoje que me aproximo de ti.
É hoje. É a hora!
(Com uma homenagem
à tua predilecta personagem
obrigado era eu a finalizar!)

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Eu avisei que versos
não sabia fazer.
Tu sabes, eu sei.
Eu tento e faço-o
apenas por respeito.

De qualquer forma, bom foi escrever.
Foi bom apenas por te recordar.
Apenas para te ver aqui tão de perto.
Não sei quando contigo irei estar.
Mas decerto sempre que assim o puder.

De ti me vou recordar utilizando as memórias que de ti tenho:
a caneta, o caderno, os versos;
a música, o rádio;
a interioridade, a aparente depressão, a apatia, o inconformismo.
Utilizando-as da mesma forma que tu as utilizavas,
a escrever incessantemente e apaixonadamente.

Na verdade
o maior elogio que a alguém se pode fazer
é a imitando, ou apenas aproximando-se do mesmo,
tal como tu próprio o fizeste.