(Um.
Um, Dois.
Um, Dois, Três.)
Quantos seres estão aqui?
Aqui quantos somos neste ninguém?
Ninguém que sou e mais alguém.
Alguém serei, talvez nunca em mim.
Em mim, nunca mais de um serei.
Ser dois ou três talvez e em apenas um viverei.
Viverei não sei em que vida.
Vida sem ser, tempo ou espaço.
Espaço de tempo em que nada faço.
Nada faço e tudo fica.
Fica tudo em inexistência eterna.
Eterna como a minha própria existência efémera.
Que tédio cansativo, que cansaço entediante, que lenta e lânguida perda de tempo.
Que duradoura e abatedora inutilidade viver para ser nada.
Tudo é tão fugaz e fugitivo, a permanecer existente tudo tarda.
Quero-me então perder, quero voar para além do firmamento.
Quero alcançar o inalcançável e infindável infinito.
Quero chegar àquele lugar longínquo onde tudo sinto.
Quero tudo, tudo e tudo quero, nada mais quero senão tudo.
Quero viver alguma vida, quero existir nalguma existência, quero sentir qualquer sensação.
Quero-me libertar de tudo aquilo que tem o nada como monótona prisão.
Soltar-me das imobilizadoras e duras amarras com as quais arduamente luto.
Combater para quebrar todas as densas e inquebráveis barreiras.
Vou cansar-me, desgastar-me, esgotar-me apenas para sentir tudo de todas as maneiras.
Posso-me multiplicar, em muitos me posso tornar.
Ser mais no mesmo: um, dois ou três, uma quantidade inumerável qualquer.
Ser todos aqueles que forem necessários para tudo poder ser.
Atirar-me à vida sem qualquer apoio ou rede de sustentação sobre a qual ter a segurança de tombar.
Viver com o arriscado risco de ruir, de rebolar, de me reduzir a fragmentados bocados.
De me tornar em numerosos e inumeráveis pedaços.
Quero ser um teste, uma experiência, um tubo de ensaio que fervilha freneticamente de excesso de ocupação.
Vou certamente incendiar, rebentar, detonar numa explosão juntamente com um silêncio endurecedor.
Autodestruir-me, consumir-me internamente com a certa certeza de que tudo terei armazenado no meu interior.
Quero morrer enfim só, só e só comigo e com a minha própria solitária solidão.
Solidão composta pela companhia das minhas outras existências que me acompanharam a viver intensamente.
Morrer apenas um após viver como dois ou três, tudo para não arriscar nada ser e ser algum Ser existente.
(Um, Dois, Três.
Um, Dois.
Um.)
//elogio às múltiplas "Pessoas" do único Fernando Pessoa, incluído a sua própria//
dмw#001
davidмarreiroswriting#zerozeroum
]thinking, that's the problem[
]a quem possa interessar ou apenas para me lavar[
18.6.08
(um, dois, três)
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DAVIDMARREIROS
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18:34:00
1 <comments
13.5.08
e
E fica sempre algo por dizer.
Fica sempre algo por perguntar, por referir, por responder, por afirmar.
Fica sempre algo perdido pelo meio do caminho.
Deixamos sempre algo na estrada abandonado e sozinho.
Quando o queremos voltar a encontrar ou recordar
simplesmente já se perdeu, já se deixou morrer.
E por vezes ainda o tentamos reanimar.
Ainda o tentamos fazer voltar à vida.
Certas vezes com sucesso,
outras num evidente retrocesso.
O que é facto é que algo fica sempre na fria estrada.
O que é facto, é que somos sempre cobardes para acabar.
E então nunca acabamos nada.
Tudo perdura infinitamente num espaço e tempo inexistentes e infindáveis,
apenas porque algo fica sempre a boiar suspensos
como um lago cheio de inúteis e lentos fragmentos
que demoram a submergir ou a subir à superfície,
que basicamente demoram a existir, a sair através da fala.
E assim, vivemos a nossa vida,
sempre com a espaçosa garganta entalada,
cheia de tudo o que lá permanece esquecido, amontoado,
como se tratasse de um velho baú selado e fechado,
apinhado e sujo de pó até ao palato,
quase a se abrir caso não fosse a chave perdida ou escondida.
E onde se encontra ela? Onde está essa chave?
Nem o próprio e muito menos os outros sabem. Ninguém sabe.
Ela haverá de aparecer magicamente, simplesmente se materializará.
Repentinamente em algo se tornará,
saindo simplesmente sob a forma de algo,
algo que sobe à superfície e abandona para sempre o lento lago.
E sempre voltarão outros fragmentos.
Outros fragmentos de pensamento, de fala,
de coisas que ficam por dizer
e que nada mais lhe restam do que a lentamente permanecer
nesse lago sujo e apinhado localizado no meio do nada,
nessas estradas e caminhos frios e isolados.
E assim se fica sempre com algo por dizer,
apenas por neste momento esse algo querer permanecer
tendo assim de acabar deste modo,
apesar de nada ter de acabar por nada ter começado.
Mas, felizmente, haverá sempre, sempre e sempre haverá
aquela pequena palavra que é letra apenas e que tudo continuará.
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DAVIDMARREIROS
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18:25:00
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folhas
Há tanto tempo que aqui já não escrevo.
Há tanto tempo que aqui quero escrever.
Há tanto tempo que alguma coisa quero dizer.
Há tanto tempo que não tenho tempo para ter tempo.
Que saudade que tinha destes momentos,
destes momentos apenas comigo só e comigo apenas
Não que eu seja um solitário cheio de problemas.
Apenas e simplesmente gosto de falar comigo mesmo.
Esquizofrenia?…
Provavelmente… provavelmente uma provável esquizofrenia saudável.
(Talvez seja esta a desculpa dos esquizofrénicos para se sentirem bem no seu dia-a-dia!
E talvez eu apenas me sinta melhor ao dizer isto ao meu Eu.)
Seja como for… gosto de falar comigo mesmo.
Seja como for… gosto de descarregar aqui toda a minha depressão e apatia.
Seja como for… gosto de descarregar aqui toda a minha felicidade e alegria.
Seja como for… gosto simplesmente de me descarregar aqui mesmo.
Aqui mesmo e apenas aqui,
por entre estas folhas brancas de papel impessoais e dóceis,
que nada contestam nem nada pretendem contestar,
que apenas desejam ser folhas, brancas e puras
que apenas se corrompem pelo uso da caneta,
esta que é motivada pelo ser maldoso que a usa
e que tudo escreve, muda e suja,
apenas para a si mesmo fazer limpeza.
Portanto, a nu aqui me exponho.
A minha alma (caso ela exista) fica totalmente despida
e aqui aterra sem aviso prévio
após uma vertiginosa e inesperada queda.
Mas é assim desta forma que eu me limpo,
que eu me lavo, que eu me livro de toda esta suja sujidade
que é o sujeito que sou
e do qual apenas me quero limpar, mas não anular.
Tomaremos isto como uma melhoria própria.
Uma descarga de energia negativa, maliciosa
que atormenta e bloqueia os recursos sãos e benéficos.
Limpar o mal temporário porque detrás dele permanece o bom sistemático.
E é para isto que isto é eficaz
e para mais nada, por muito que aqui se mostre.
E assim acabo tudo isto, mesmo que nada tenha dito…
Bom… existe sempre um “E” que fica por ser proferido
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DAVIDMARREIROS
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18:23:00
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26.4.08
ondas
Que bem que sabe aqui estar.
Aqui, aqui tão perto deste imenso mar.
Com o sol já a descer.
Sob uma luz difusa vagarosamente a morrer.
Que paz, que paz que isto confere.
Com este momento nada interfere.
Sinto-me livre em voo planado.
Tudo está bem, tudo está calmo.
O único som que se ouve é o bater das ondas,
revoltas neste mar tão sereno.
Um barulho ensurdecedor que tudo absorve
Mas simultaneamente tão mudo que tudo anula.
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DAVIDMARREIROS
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19:16:00
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18.4.08
yang
Hoje o dia amanheceu escuro e chuvoso
todo ele ainda envolto no negro tenebroso.
Hoje a minha escuridão ainda se mantinha
mas curto era o dia ainda.
Eis quando o sol brilha,
erguendo-se de toda aquela escuridão opaca
e anulando toda a chuva malvada,
ficando limpo todo o dia.
Toda a minha escuridão recuou,
tornando-se ofuscantemente alva.
Ofuscada decerto pela luminosidade benévola
que toda a minha alma banhou.
Como pode um só ser possuir tanta luminosidade?
Como consegues tu iluminar todo o meu ser?
Como conseguirei eu ultrapassar a diária e arrebatadora saudade?
Como conseguirei eu te vir a ter?
De facto, como consegue a noite ter o dia
se separados eles sempre vivem?
Como consegue a escuridão continuar escura
se a luz luminosa a anula?
Será que nunca te terei para mim,
tal como tu nunca me terás para ti?
Será que juntos nunca iremos estar
porque simplesmente nos iríamos anular?
Mas o dia não existiria caso noite não houvesse.
Caso não existisse escuridão a luz não faria sentido.
O positivo evaporava caso o negativo morresse.
O branco não vivia sem a existência do preto.
Nada faz sentido sem o seu oposto.
Se um não existisse o outro não teria razão de ser.
Tudo precisa do seu directo complemento.
Todos precisamos do oposto para o equilíbrio manter.
Deste modo me deixo dormir.
Fecho os olhos e vejo tudo menos o negro habitual.
Tudo o que vejo e sinto a nada é igual.
E assim, hoje tenho razões para sorrir.
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DAVIDMARREIROS
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22:36:00
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17.4.08
yin
Hoje não tenho quaisquer razões para sorrir.
Pelo menos hoje viverei em eterna escuridão.
Sei que hoje já nada me pode salvar ou estender a mão.
Hoje só me resta fechar os olhos e tentar dormir.
Hoje a minha escuridão tornou-se ainda mais negra.
Hoje a minha alma está totalmente cega.
Cegueira provocada não por para a luz olhar
mas por em escuridão o dia passar.
Amanhã preciso da luz que me ilumina.
Amanhã preciso desse sol que tudo fulmina.
Que o teu branco luminoso destrua o meu negro preto.
Que, de mim, tu amanhã estejas perto.
Amanhã espero a tua luz encontrar.
Amanhã pela minha escuridão a dentro a tua luz irá trespassar,
quebrar tudo o que de negro em mim persiste,
anular todo o preto que em mim hoje existe.
E se amanhã o preto nunca ver o branco?
Se amanhã o dia nunca se encontrar com a noite?
Se amanhã não me chegares a cobrir com o teu luminoso manto?
Se o amanhã for inundado pela má sorte?
Então, em eterna escuridão viverei.
Morrerei, simplesmente, envolto de negra melancolia.
A sorrir nunca mais voltarei.
Irei mergulhar na depressiva apatia.
Portanto, hoje durmo de noite desejando amanhã o dia.
A esperar pelo futuro vivo o presente.
Aguardo a chegada do sol que sei que me irradia
enquanto a minha escuridão se mantém latente.
Soturnamente adormecerei hoje.
Iluminado desejo ser amanhã.
Viverei caso o seja.
Morrerei caso não te veja.
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DAVIDMARREIROS
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22:36:00
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não sei o que hei-de fazer
Não sei o que hei-de fazer.
Estou cansado de tudo o que me rodeia.
Não sei sobre o que girar, para onde me mover.
Não sei simplesmente como sair desta teia.
Quero sair disto, deste estado
ao qual me sinto aprisionado.
Quero romper com todas as linhas que me amarram
e que por nada me largam.
Quero quebrar deste suplício mental e sentimental.
Quero-me libertar de todo este malicioso mal.
Quero tudo isto
mas não consigo.
Morrerei a tentar.
Morrerei a amar.
Pelo menos irei expirar,
evaporar pelo infinito ar,
esse que tudo consome e nada rejeita,
que tudo absorve e que a pairar tudo deixa.
E assim, absorvido e consumido meu corpo e alma morrerão
e, suspensos no vazio, todos os meus sentimentos por ti viverão.
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DAVIDMARREIROS
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19:46:00
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15.4.08
farto, simplesmente, meramente, farto…
Estou farto de pensar…
Estou farto de sentir…
Estou farto de não agir…
Estou farto de olhar para o ar…
Estou simplesmente, meramente, farto…
Farto de pensar no mesmo assunto.
Sempre, e a toda a hora na mesma coisa.
Tudo o mesmo passa constantemente pelos mesmos sítios da minha mente.
São sempre as mesmas cabines cheias a rodar na mesma roda gigante.
Cabines cheias da mesma matéria, do mesmo produto.
Farto de sentir o mesmo sentimento.
O mesmo conjunto de sentimentos confusos.
Contraditórios e iguais a si mesmos
Tanto relativos a mim, como aos outros.
Tanto relativos aos próprios.
Farto de não agir,
de me sentir inútil, incapaz
de executar qualquer espécie de acto, movimento.
Sinto-me imobilizado, amputado,
desprovido da capacidade de reagir de forma coerente.
Farto de olhar para o ar,
onde nada existe para ver ou encontrar.
No qual as respostas para as constantes perguntas não se encontram.
Perda completa de tempo enquanto tudo se move, altera.
Sintoma da decadência, doença mental evidente
causada evidentemente pelas evidentes razões:
o constante e absurdo estado de reflexão;
a continua e repetitiva sensação de sentir as mesmas sensações
a aborrecida e abatedora noção de anulação de acção.
Resumidamente, o infinito estado de apatia depressiva.
E o que mais me deprime é apenas uma coisa.
É todas estas razões serem provocadas por uma única.
Tudo gravita em torno de um astro isolado
Todo eu, os meus pensamentos, sentimentos e acções (ou não-acções)
circundam apenas e só uma unidade.
Portanto, penso, sinto e ajo (ou não ajo)
apenas em torno de uma razão,
a razão verdadeira para esta apatia depressiva,
para esta cegueira parcial, relativa,
moldadora de todo o pensamento, sentimento e acção.
Curioso é eu não desejar recusar esta maldição,
este feitiço lançado sobre mim
sem qualquer aviso prévio ou tempo de preparação,
nem sequer qualquer espécie de autorização ou consentimento,
necessário para algo tão malicioso e virulento.
Mas não interessa, nada importa.
Eu gosto desta maldição.
Eu gosto da minha apatia depressiva.
Gosto de estar farto de pensar, de sentir, de não-agir.
Gosto da razão pela qual estou neste estado.
De facto, gosto de estar como estou
apenas por gostar da razão por estar como estou.
Estupidez? Sim. Demência? Sem dúvida.
Não me importo de ser demente ou estúpido.
Importar-me-ia era de não ficar assim, neste exacto modo.
E assim fico simplesmente, meramente,
a pensar,
a sentir,
a não-agir
e, para o nada, a olhar.
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DAVIDMARREIROS
@
18:17:00
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13.4.08
transportes públicos
Transportes públicos.
Autocarro, metro…
Estúpido tempo perdido,
enquanto tudo lá fora se passa,
e nada ocorre enquanto estamos dentro.
Tudo sem sentido se faz.
Tudo o que se faz neste espaço,
neste tempo,
não faz qualquer lógica.
Nada se faz…
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DAVIDMARREIROS
@
19:43:00
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9.4.08
pequenas grandes coisas
Mais um pequeno diário…
Mais pequenas memórias…
Mais pequenos desenhos…
Mais pequenos pensamentos…
Mais pequenas coisas…
Coisas minhas.
Coisas de trazer de mão.
Coisas portáteis, transportáveis.
Coisas minhas apenas.
Coisas… Coisas pequenas.
Pequenas coisas que, lentamente
maiores se querem tornar.
Tão grandes que, impulsivamente
desejam saltar, rebentar, estilhaçar
deste pequeno diário inocente.
Algo tão pequeno e,
simultaneamente tão gigante
a viver em algo tão reduzido!
Deveras irónico…
Irónico, deveras…
Como conseguem estas coisas
em tão pequeno espaço habitar?
Como conseguem viver assim, sempre fechadas sobre si próprias?
Como se subjugam a esta forma de respirar?
Como conseguem…?
Como consigo eu me sentir fechado na pequenez?
Neste sufoco inabitável?
Preciso de um vazio enchente.
Quero flutuar no espaço infindável.
Necessito do infinito inacabável.
Porquê?
Porque preciso eu de tal?
Talvez apenas por não o possuir.
De facto, todos desejamos tudo,
tudo aquilo de que não somos possuidores.
Não tenho espaço, preciso dele…
Não tenho bem-estar, preciso dele…
Não tenho felicidade, preciso dela…
Não tenho amor-próprio, preciso dele…
Não tenho …, preciso…
Ou talvez não… talvez não.
Talvez não necessite de algo que não tenho.
Talvez esteja bem nesta situação.
Talvez me sinta bem como estou.
Talvez isto seja apenas um estúpido amuo.
Não preciso de espaço.
Não preciso de bem-estar.
Não preciso de felicidade.
Não preciso de amor-próprio.
Não preciso de nada.
Tal como estas palavras que escrevo
se sentem bem onde e como se encontram,
eu estou bem, também.
Estas palavras gostam do seu espaço e do seu modo.
Eu gosto do meu lugar e da minha situação.
Mas ao contrário delas,
que não necessitam de ninguém para viver,
eu preciso de alguém para continuar a respirar,
de alguém que me dê um sentido,
sentido que estas palavras nunca precisam de ter.
Só desejo uma “coisa”.
Só preciso de uma “coisa” para respirar
(para viver, para sobreviver, para morrer?).
Preciso de uma pequena grande “coisa”
Apenas para um pequeno grande lugar em mim ocupar.
Afinal sempre quero algo que não possuo.
Afinal isto é mais que um estúpido amuo.
Preciso de ti.
Quero-te a ti
Perto de mim, para mim…
(Wish You Were Here)
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DAVIDMARREIROS
@
19:36:00
0
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preto, oh preto...
Preto…
Oh, Preto…
Preto…
Preto, Oh Preto…
Preto…
Preto…
O Preto Tudo Anula.
O Preto Tudo Dissimula.
O Preto Tudo Muda.
O Preto em Tudo Ajuda.
Em Preto Tudo se Torna.
Em Preto Tudo se Termina.
Preto…
Preto…
Preto, Oh Preto…
Preto…
Oh, Preto…
Preto…
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DAVIDMARREIROS
@
17:58:00
0
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23.3.08
voltar...
Voltei atrás…
Voltei a ler o que anteriormente escrevera impulsivamente…
Voltei a sentir o mesmo sentimento.
Voltei a permitir os meus olhos derramarem água salgada.
Voltei a chorar descontroladamente.
As barragens de um mar imenso
voltaram-se a abrir nestes dois mundos pequenos.
Derrubou tudo,
esta água malvada, mas tão bem-vinda,
tão… tão necessária ao meu mundo.
Sim, precisava de abrir as minhas barragens.
Precisava de derramar todo o líquido ardente
para de energia poder reabastecer
de modo a amanhã poder viver
sem presença da tristeza latente.
Sim, agora percebo-te mesmo…
Mesmo, mesmo, mesmo…
Sabe bem, sabe mesmo bem…
Alivia a alma. Lava a alma.
Liberta o corpo da diária monótona azáfama.
Tudo aquilo, toda a água que se junta
ao longo de dias sem fim,
é soltada finalmente com um caderno e uma caneta
na mais intima solidão de um quarto,
e, subitamente todas as escotilhas se abrem, tudo fica a descoberto.
Tudo fica aberto. Tudo fica solto.
Tudo parece mais fácil. Tudo parece mais possível,
mesmo que apenas por algum tempo,
tempo esse que se assemelha sempre pouco
mesmo que se alargue pelo infinito inacabável.
Voltamos sempre ao mesmo:
Voltamos sempre a encher o nosso mar;
voltamos sempre a drenar esse mesmo mar;
voltamos a encher o mar e a drenar o mar anterior.
Voltamos sempre à dor.
Voltamos sempre às dores.
Voltamos sempre ao sofrimento.
De facto, precisamos sempre de mágoa,
para sempre de felicidade sermos possuidores,
ainda que por um curto espaço de tempo.
Vivemos em ciclo.
Ciclo de felicidade e sofrimento.
Vivemos para sofrer.
Sofremos em busca de um sorriso, de um alento.
Curioso é ter sempre medo de morrer…
Se em sofrimento sempre viveremos
porquê não morrer logo ao primeiro enchimento do dique?
A vida é feita para viver,
não para morrer.
O sentido da vida é remar sem remos.
Mas… Sempre… Sempre…
Infinitamente… Infinitamente…
Voltei… Voltamos…
Voltarei… Voltaremos…
Voltar… Voltar…
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DAVIDMARREIROS
@
20:30:00
0
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a ti, irmão
Mais uma noite me apetece escrever.
Desta vez não em prosa mas em verso.
Não em inglês mas em português.
Versos não sei fazer.
Mas minha alma o pede fortemente.
Inspirada pelos versos de meu irmão, provavelmente.
Ah, irmão, irmão…
Há quanto tempo, irmão…
Há quanto tempo não te vejo, não te abraço…
Há quanto tempo, irmão…
Saudades, sim, deveras.
Porquê? Não sei.
Talvez apenas por ler
e te nitidamente te reconhecer
nesses teus escritos,
esses escritos que todos abominavam,
que todos odiavam,
que em todos desejavam penetrar e destruir.
Só agora percebo o porquê.
Talvez por agora estar assim.
Estar mais perto daquilo que eras
do que alguma vez já estivera.
Estou mais perto de ti
do que alguma vez já estivera
e a tantos quilómetros de distância entre nós…
Saudade, … sim… saudade.
Respeito, … sim… respeito.
Admiração, … sim… admiração.
Amor, … claro que sim… amor.
Acima de tudo amor.
Obrigado irmão, finalmente te compreendi.
Uma década passou e só agora percebi.
Dizer que nunca é tarde demais…
Que mais vale tarde do que nunca…
Que quem espera sempre alcança…
(Bem, talvez nunca tenhas esperado que te compreendessem,
mas sempre esperaste por alguém que te percebesse,
até por ti mesmo.)
É hoje. É hoje que me aproximo de ti.
É hoje. É a hora!
(Com uma homenagem
à tua predilecta personagem
obrigado era eu a finalizar!)
------
Eu avisei que versos
não sabia fazer.
Tu sabes, eu sei.
Eu tento e faço-o
apenas por respeito.
De qualquer forma, bom foi escrever.
Foi bom apenas por te recordar.
Apenas para te ver aqui tão de perto.
Não sei quando contigo irei estar.
Mas decerto sempre que assim o puder.
De ti me vou recordar utilizando as memórias que de ti tenho:
a caneta, o caderno, os versos;
a música, o rádio;
a interioridade, a aparente depressão, a apatia, o inconformismo.
Utilizando-as da mesma forma que tu as utilizavas,
a escrever incessantemente e apaixonadamente.
Na verdade
o maior elogio que a alguém se pode fazer
é a imitando, ou apenas aproximando-se do mesmo,
tal como tu próprio o fizeste.
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DAVIDMARREIROS
@
19:27:00
0
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