davidмarreiroswriting#zerozeroum



]thinking, that's the problem[
]a quem possa interessar ou apenas para me lavar[



9.4.08

pequenas grandes coisas

Mais um pequeno diário…
Mais pequenas memórias…
Mais pequenos desenhos…
Mais pequenos pensamentos…
Mais pequenas coisas…

Coisas minhas.
Coisas de trazer de mão.
Coisas portáteis, transportáveis.
Coisas minhas apenas.
Coisas… Coisas pequenas.

Pequenas coisas que, lentamente
maiores se querem tornar.
Tão grandes que, impulsivamente
desejam saltar, rebentar, estilhaçar
deste pequeno diário inocente.

Algo tão pequeno e,
simultaneamente tão gigante
a viver em algo tão reduzido!
Deveras irónico…
Irónico, deveras…

Como conseguem estas coisas
em tão pequeno espaço habitar?
Como conseguem viver assim, sempre fechadas sobre si próprias?
Como se subjugam a esta forma de respirar?
Como conseguem…?

Como consigo eu me sentir fechado na pequenez?
Neste sufoco inabitável?
Preciso de um vazio enchente.
Quero flutuar no espaço infindável.
Necessito do infinito inacabável.

Porquê?
Porque preciso eu de tal?
Talvez apenas por não o possuir.
De facto, todos desejamos tudo,
tudo aquilo de que não somos possuidores.

Não tenho espaço, preciso dele…
Não tenho bem-estar, preciso dele…
Não tenho felicidade, preciso dela…
Não tenho amor-próprio, preciso dele…
Não tenho …, preciso…

Ou talvez não… talvez não.
Talvez não necessite de algo que não tenho.
Talvez esteja bem nesta situação.
Talvez me sinta bem como estou.
Talvez isto seja apenas um estúpido amuo.

Não preciso de espaço.
Não preciso de bem-estar.
Não preciso de felicidade.
Não preciso de amor-próprio.
Não preciso de nada.

Tal como estas palavras que escrevo
se sentem bem onde e como se encontram,
eu estou bem, também.
Estas palavras gostam do seu espaço e do seu modo.
Eu gosto do meu lugar e da minha situação.

Mas ao contrário delas,
que não necessitam de ninguém para viver,
eu preciso de alguém para continuar a respirar,
de alguém que me dê um sentido,
sentido que estas palavras nunca precisam de ter.

Só desejo uma “coisa”.
Só preciso de uma “coisa” para respirar
(para viver, para sobreviver, para morrer?).
Preciso de uma pequena grande “coisa”
Apenas para um pequeno grande lugar em mim ocupar.

Afinal sempre quero algo que não possuo.
Afinal isto é mais que um estúpido amuo.
Preciso de ti.
Quero-te a ti
Perto de mim, para mim…

(Wish You Were Here)

Sem comentários: